Olimpíadas e o Instagram
- 12 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
o quanto a presença nas redes sociais pode ajudar atletas que ganharam maior visibilidade após os Jogos de Tóquio?
por Giovanna Araújo
Com as Olimpíadas de Tóquio, muitos atletas cativaram o grande público aumentando seu número de seguidores nas redes sociais de maneira impressionante e rápida. Mas quais impactos essa nova realidade pode gerar em suas vidas?
Monetização
Segundo lista divulgada pelo Facebook, dentre os dez olimpianos que mais aumentaram o número de seguidores no Iinstagram, cinco são brasileiros. São eles:
Rayssa Leal, skatista
Rebeca Andrade, ginasta
Ítalo Ferreira, surfista
Douglas Souza, jogador de vôlei
Letícia Bufoni, skatista

Os cinco atletas somaram 12,3 milhões de novos seguidores no Instagram. O aumento de engajamento significa, hoje em dia, também uma oportunidade financeira e até possível carreira, visto que a influência digital tem se mostrado como um mercado promissor. Segundo o Influencer Marketing Hub, o ganho projetado para o ramo de influenciadores na plataforma é de 13,8 bilhões de dólares em 2021.
A nova visibilidade pode gerar uma condição de vida totalmente nova a muitos atletas que não possuem patrocinadores ou apoio governamental para que vivam do esporte. Mesmo para os desportistas que não ganharam milhões de seguidores, o aumento de engajamento nas redes já valoriza seus perfis aos olhos de marcas e patrocinadores.

Rayssa Leal, 13, a Fadinha do Skate, é a atleta das Olimpíadas de Tóquio que mais ganhou seguidores no Instagram, 5,8 milhões.
Para os atletas que se tornaram celebridades do dia para a noite, uma nova realidade se impõe e a criação de conteúdos para redes sociais pode se tornar uma cobrança nociva. Segundo trabalho publicado pelo Brazilian Journal of Heath Review, “Paradoxo do mundo digital: desafios para pensar a saúde mental dos influenciadores digitais”, com o surgimento dos influenciadores digitais e do marketing de influência, surgiu, também, a economia criativa, na qual o influenciador precisa estar sempre criando novos conteúdos e ideias para manter seus seguidores. Vive-se com a insegurança de não conseguir prever o que terá ou não sucesso.
“Por isso estes profissionais estendem sua jornada de trabalho e aumentam o sentimento de competitividade, piorando as relações de trabalho e afetando com o passar do tempo a sua qualidade de vida. Nesse cenário, é comum o deterioramento da saúde mental, gerando doenças como ansiedade, depressão, transtorno de imagem e síndrome de Burnout.”
Paradoxo do mundo digital: desafios para pensar a saúde mental dos influenciadores digitais
A Síndrome de Burnout é um distúrbio psicológico causado por excesso de trabalho. É comum também em atletas de alta performance devido às exigências atreladas ao esporte competitivo. A decisão da ginasta estadunidense Simone Biles, 24, de deixar de competir em diversas categorias nas Olimpíadas chamou atenção para o debate acerca da saúde mental no esporte de alto rendimento, questão que se complica quando atrelada à exposição nas redes sociais.


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