Skate tem destaque nacional com Olimpíadas, em Juiz de Fora condições para prática são precárias
- 5 de ago. de 2021
- 3 min de leitura
por Giovanna Araújo
Com inserção do esporte nas Olimpíadas de Tóquio o skate ganha destaque, mas quais são as condições para a prática do esporte na cidade?
Na terça-feira (03) o skate voltou a chamar atenção com a estreia da segunda modalidade que virou esporte olímpico, o park. Uma categoria que vem crescendo e que mistura obstáculos do bowl, street e vertical. Skatistas brasileiros como Kelvin Hoefler, Rayssa Leal, Letícia Bufoni, Dora Varella e muitos outros têm ganhado reconhecimento do grande público, expandindo sua torcida para além do nicho do skate. O esporte cativou muitos brasileiros e o reconhecimento desses atletas indica mudanças positivas e abertura de portas para novas gerações de skatistas, mas em meio a esse contexto, qual é a situação do esporte a nível local?
Uma história marginalizada
O esporte hoje celebrado nas Olimpíadas tem um histórico de marginalização no país, chegou a ser proibido em São Paulo em 1988 por Jânio Quadros, na época prefeito. No ano seguinte, a prefeita Luiza Erundina, hoje deputada do PSOL, liberou a prática do skate. Após a primeira medalha brasileira conquistada nas Olimpíadas de Tóquio por Kelvin Hoefler, foi publicado um tuíte no perfil da deputada celebrando a vitória.
O skate em Juiz de Fora
A marginalização do esporte não acontece somente se existem proibições legais. A falta de locais para prática, patrocínio e apoio para atletas dificulta o desenvolvimento profissional de skatistas e até a maior popularização da prática para lazer. O problema se agrava em cidades menores. Elisa Condé, 23, é estudante de publicidade e propaganda e skatista. Ela lamenta a viabilidade para prática em Juiz de Fora, “As pistas são em locais muito afastados, estão com situações precárias ou interditadas por causa da pandemia - como por exemplo a UFJF.”. Afirma também que poucas marcas do setor “apoiam o rolê, então isso dificulta ainda mais.”.

Elisa Condé Foto: Marcella Calixto
Elisa aponta que as marcas que oferecem algum apoio o fazem de forma discrepante para homens e mulheres. “As marcas não apoiam de maneira igualitária, veem as minas como uma porta de vendas, mas esquecem de apoiar realmente. As minas estão sempre no corre, tendo que fazer mil coisas por fora, porque as marcas apoiam com o mínimo. Não são todas, mas a grande maioria. O skate é um esporte ainda muito machista, muito mesmo.”
Ela observa também que Rayssa, medalhista de prata da categoria street aos 13 anos que cativou o público brasileiro, trouxe uma visibilidade enorme para o skate feminino.
"Nunca, na história do skate feminino nacional, tornou-se algo visto/falado por outras pessoas, além do meio. A Rayssa levou o skate feminino para grandes e pequenos bairros, levou para várias classes. Com certeza ela despertou o interesse de várias meninas e as encorajou. Isso que está acontecendo é bonito de ver, espero que o skate feminino continue crescendo, além das Olimpíadas. E que possa abrir os olhos da sociedade para o óbvio: skate não é só para os homens e que o Brasil não é só futebol.”
Elisa Condé, skatista
Aumento de vendas
Thiago Machado, 35, é skatista há 20 anos e é dono da N.S.S.B., loja que está há 15 anos no mercado do skate. Ele conta que o cenário vem mudando a cada ano, com menos preconceito em cima dos skatistas e com um pouco mais de apoio às marcas do mercado. “Em Juiz de Fora especificamente mudou pouco. Poucas pistas mal construídas e sem apoio total dos órgãos públicos. Em 15 anos o que mudou mesmo foi a melhor aceitação do skate aqui na cidade.”
Entretanto, com a inserção do skate nas Olimpíadas é possível perceber mais mudanças. A loja também oferece aulas e Thiago conta que “aumentou muito a procura para começar a andar de skate e o interesse de muita gente que não sabia como o skate funciona. A tendência é de ter um aumento maior ainda até o final do ano.”


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