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Seleções masculina e feminina de handebol têm caminhos que vão exigir superação nas Olimpíadas

  • 21 de jul. de 2021
  • 4 min de leitura

A melhora dos resultados no handebol nas últimas edições dos Jogos foi uma esperança, mas o sorteio dos grupos não foi tão generoso com o Brasil em Tóquio


Por Flavyo Daniel


O Brasil perdeu para a França nas quartas de final em 2016, na Arena do Futuro. Foto: Getty Images





O sonho da primeira medalha olímpica para o handebol brasileiro ficou mais distante após o sorteio dos grupos, realizado virtualmente no dia 1º de abril. Campeã do Pan-Americano 2019, em Lima, no Peru, a Seleção Brasileira feminina integra o Grupo Bdas Olimpíadas, ao lado de França, Hungria, Comitê Olímpico Russo (ROC), Espanha e Suécia. Já a Seleção masculina, que garantiu a vaga em Tóquio com vitória emocionante sobre o Chile no Pré-Olímpico, compõe o Grupo A ao lado de Argentina, Espanha, Alemanha, França e Noruega.


A preocupação com os adversários se justifica pelas poderosas credenciais que carregam. A Seleção feminina enfrenta o Comitê Olímpico Russo, atual campeão olímpico, a França, campeã mundial em 2017 e da Europa em 2018, a Suécia, quarta colocada no Mundial de 2017, além da Espanha, vice-campeã mundial em 2019, e a Hungria. Como a Rússia foi suspensa dos Jogos pela Agência Mundial Antidoping após escândalo, a Seleção feminina do país está autorizada a participar sob bandeira neutra, e por isso entra como equipe do Comitê Olímpico Russo.




A Seleção masculina não teve mais sorte, enfrenta a Argentina, sua principal rival na América do Sul, e quatro seleções europeias com tradição e títulos na modalidade, incluindo a França, que a eliminou na última edição dos jogos.





Para os otimistas existem dois lados nessa moeda. A história da modalidade aponta evolução e melhora nos resultados recentes da Seleção, principalmente no feminino, o que é um dado animador. A Seleção feminina se classificou para sua primeira Olimpíada, Sydney-2000, após o ouro conquistado nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg-1999. O oitavo lugar em Sydney começou a despertar atenção para a Seleção no cenário mundial. Em 2004, mais uma vez, o Brasil voltou a carimbar o passaporte para os Jogos Olímpicos, desta vez no masculino e no feminino, em Atenas. O masculino terminou a competição em décimo lugar e o feminino terminou em sétimo. Em Pequim-2008, depois de históricas campanhas invictas das seleções no torneio de classificação para os Jogos Olímpicos, a equipe feminina terminou na nona colocação, e a masculina, em 11º lugar. Na edição de Londres-2012, o Brasil confirmou para o mundo que o handebol do país estava se consolidando entre os melhores do mundo.


A seleção feminina conseguiu se classificar para as fases eliminatórias como líder de seu grupo, após vencer fortes seleções como Montenegro, Croácia e Grã Bretanha, confirmando a melhor campanha da modalidade na história dos Jogos Olímpicos com um sexto lugar, superando a sétima colocação conquistada em Atenas-2004. No ano seguinte, no Mundial disputado na Sérvia, a mesma Seleção do Brasil conseguiria o melhor resultado da história do país, sagrando-se campeã após vitória na final contra as donas da casa. Mesmo com essa credencial, nas Olimpíadas sediadas em sua casa, a torcida a favor não alterou muito os resultados. O Brasil novamente caiu nas quartas, tanto no masculino quanto no feminino. Esse novo ciclo olímpico apontará para o caminho do crescimento, regressão ou estagnação?



Crédito: reprodução/youtube/TNTSportsBrasil



Se depender dos investimentos, a evolução até as Olimpíadas do Rio está colocada em risco, e não só no handebol. Para fazer aquela que foi sua melhor campanha da história, o país registrou um recorde no investimento esportivo por parte do Estado. Foram R$ 3,2 bilhões gastos no ciclo olímpico (2013-2016), sem contar a construção das modernas arenas e obras de infraestrutura na cidade. Porém, o cenário se alterou para o novo ciclo. O investimento público foi de R$ 2,8 bilhões, uma queda de R$ 350 milhões (11%) em comparação com os Jogos do Rio, o que pode afetar diretamente o desempenho dos atletas na competição. Na disputa do último mundial, realizado em 2019, as verbas para o handebol, que totalizavam cerca de R$14 milhões por ano, foram reduzidas para pouco mais de R$ 1,4 milhão após corte de seus principais patrocinadores, os Correios e o Banco do Brasil, o que comprometeu todo o planejamento e calendário de preparação. Ao contrário do que muitos gestores podem pensar, nem tudo se resolve com a junção de talentos dentro de uma quadra.


Os testes na preparação da Seleção masculina, comandada pelo técnico Marcus Tatá, se encerraram no dia 10 de julho, após a disputa do torneio de Nuremberg, na Alemanha. No triangular, que contava com Brasil, Alemanha e Egito, a Seleção verde e amarela terminou em terceiro após derrotas para os dois adversários. A Seleção feminina comandada pelo técnico Jorge Dueãnas, se saiu um pouco melhor, com uma vitória contra a seleção de Montenegro e duas derrotas para a seleção húngara nos três últimos testes antes do embarque para Tóquio. O torneio masculino terá início no dia 24 de julho, e o feminino, no dia 25 de julho . Ambos serão realizados no Yoyogi National Gymnasium. A seleção masculina estreia contra a Noruega, às 21h do dia 23 de julho no horário de Brasília. Já as mulheres iniciam a caminhada contra o Comitê Olímpico Russo (ROC), às 23h do dia 24 de julho no horário de Brasília.








 
 
 

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