Salto ornamental: o pulo audacioso que virou esporte
- 21 de jul. de 2021
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Atualizado: 26 de jul. de 2021
A atividade que nasceu como treinamento para outras modalidades está presente nos Jogos Olímpicos há 117 anos

Foto: Agência Brasil/ Satiro Sodré
Texto: Lenice Rubio
Saltar de uma plataforma ou trampolim fazendo movimentos estéticos em direção a uma piscina. A cena parece familiar? Essa sequência de movimentos constitui a modalidade de saltos ornamentais nos Jogos Olímpicos.
A atividade provavelmente era praticada como lazer na Grécia Antiga, portanto não integrava os Jogos Olímpicos da Antiguidade. Os gregos subiam em obstáculos para tornar a queda em direção à água mais divertida. Foi a partir de 1600 que os atletas europeus, especialmente os suecos e alemães, usaram os saltos como forma de treinamento para a ginástica. Em 1904, a modalidade foi incluída nos Jogos Olímpicos de Saint Louis. Nessa edição, apenas homens participaram dos saltos, que foram feitos somente em plataformas.
O Brasil entrou nas competições de saltos ornamentais em 1920, nos Jogos de Antuérpia com o atleta Adolpho Wellisch. O brasileiro já tinha vencido um campeonato da modalidade realizado em Botafogo, no Rio de Janeiro, em 1913. Mas na competição mundial, Adolpho ficou em oitavo lugar.

Nos Jogos de Tóquio, o Brasil leva quatro atletas: Ingrid Oliveira, Isaac Souza e Kawan Pereira na plataforma de 10 metros e Luana Lira no trampolim de 3 metros.
A Copa do Mundo de Saltos Ornamentais, realizada no Japão para escolher quem participa dos Jogos, trouxe para o Brasil resultados inéditos. Pela primeira vez, a Seleção Brasileira da modalidade conseguiu as quatro vagas para os Jogos Olímpicos e duas para as finais. Ingrid de Oliveira é destaque na equipe dessa edição. A atleta conseguiu a medalha de ouro na plataforma de 10 metros da competição que aconteceu na Itália, o Grand Prix de Bolzano. A competição serve como preparação da Seleção para os Jogos Olímpicos de Tóquio.
Luana, Kawan e Isaac também conseguiram bons resultados no Grand Prix de Bozano, os três foram para as finais de suas provas. As expectativas para que essa equipe traga a primeira medalha da modalidade para o Brasil estão altas.
Para torcer pelos brasileiros, inicialmente você consegue acompanhar a Luana Lira no dia 30 de julho, a Ingrid no dia 4 de agosto e o Kawan e Isaac no dia 6 de agosto. As próximas provas dependerão dos resultados dos primeiros.
Coragem e flexibilidade
O atleta que pratica saltos ornamentais é chamado de saltador. A modalidade é considerada um esporte de precisão e exige consciência corporal, flexibilidade e força.
O saltador se lança para o alto e para frente e as partes do corpo mais usadas são os joelhos e o tendão de Aquiles. Há duas formas de saltar: sozinho ou acompanhado, no salto sincronizado. Este último foi introduzido nos Jogos de Sydney, em 2000, e exige que os dois atletas saltem da plataforma da forma mais síncrona possível.
Os atletas homens saltam 6 vezes e as mulheres 5 vezes. Se o atleta fizer saltos diferentes daqueles que ele combinou executar na prova, ele não será pontuado. Na avaliação, os juízes dão notas de zero a dez. A nota mais alta e a mais baixa são descartadas para a conta final.
Os passos dados pelo atleta antes da realização do salto se chamam andada, o momento da saída se chama decolagem, a altura máxima alcançada durante o salto se chama elevação e a entrada é o momento em que o atleta cai na piscina, devendo espirrar o mínimo possível de água.
As posições dos saltos também são nomeadas. A carpada é o momento em que as pernas ficam esticadas, formando um ângulo com o tronco, na esticada o corpo fica reto e na grupada as pernas ficam flexionadas e são seguradas pelas mãos. Confira na imagem abaixo.

A imagem da esquerda é datada de 480 a.C, foi encontrada em 1968 e nomeada Tomba del Tuffatore. Já a imagem da direita apresenta duas saltadoras. Deslize o cursor para vê-las por completo:


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