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Os reflexos da política no âmbito esportivo

  • 11 de ago. de 2021
  • 2 min de leitura

Conflitos políticos assumem papel de destaque em competições esportivas como as Olímpiadas, e o fenômeno não é recente.


Por Flavyo Daniel


Conflito entre Israel e Palestina se tornou pauta de mais discussões após ações de atletas de outros países. Foto: Pixabay





Em competições como as Olimpíadas, cada ação dos atletas tem um peso e uma repercussão. Um tropeço em uma barreira no atletismo, um centésimo de hesitação no salto da plataforma para a água, são detalhes que definem como serão contadas as histórias. Os erros geram críticas, e fazem o atleta esperar quatro anos por uma redenção. As vitórias levam à glória, a honra de ouvir o hino e assistir a bandeira do seu país subindo para o lugar mais alto. Mas as Olimpíadas de Tóquio nos lembraram que as ações dos atletas não se restringem apenas às quatro linhas dos tatames ou dos campos. Eles carregam consigo o peso de todos os significados e da história daquele pedaço de pano que sobe pelo mastro.


O sorteio das chaves do judô trouxe novamente à tona como questões políticas e esporte se misturam. O judoca argelino Fethi Nourine decidiu abrir mão de sua participação depois de o sorteio indicar um possível confronto contra o israelense Tohar Butbul, pela segunda fase da categoria até 73kg. Em suas redes sociais, Nourine compartilhou notícias nas quais afirma que "não reconheceremos a bandeira israelense e não mancharemos nossas mãos com ela”.


A decisão não foi uma novidade. O atleta já havia deixado a disputa do mundial em 2019 após o sorteio colocar o rival israelense em seu caminho. A consequência de seus atos foi a suspensão temporária de Nourine e do seu técnico Ammar Benkhlef pela Federação Internacional de Judô (FIJ). A Argélia é um país árabe situado no norte da África, e o governo argelino não reconhece o estado de Israel.





Nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, um caso semelhante aconteceu. O judoca egípcio Islam El Shehaby se recusou a apertar a mão do seu adversário, o israelense Or Sasson, após a sua derrota na primeira rodada do peso pesado (mais de 100kg). Por mais que esses episódios sejam recentes, assim como os conflitos políticos no mundo, eles não podem ser considerados novidade.


Nos Jogos Olímpicos de Berlim (1936), no auge do regime nazista de Adolf Hitler, um atleta entrou para a história do Jogos com a vitória nas pistas e como simbolismo. Os Jogos serviam como uma vitrine para o regime, que queria provar ao mundo que já estava em pé de igualdade perante as demais potências europeias.


Para Hitler, os Jogos também teriam como objetivo comprovar a superioridade da raça ariana em relação às demais – crença sustentada pela ideologia nazista. Mas seria um americano, negro, que teria destaque. Jesse Owens conquistou quatro medalhas de ouro (100 e 200 metros rasos, salto em distância e revezamento 4×100 metros), colocando uma marca negativa no que seria uma grande publicidade do regime.






As confederações, federações e comitês definem punições para atletas que têm a postura do judoca argelino ou que fazem qualquer outro tipo de manifestação política nos eventos, mas a repetição mostra que as consequências não cessam o acontecimento e a repercussão desses episódios.











 
 
 

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