Os números explicam a baixa taxa de inscritos no Enem 2021
- 5 de ago. de 2021
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O exame teve o menor número de inscritos desde 2005, quando ainda não era uma porta de entrada para as universidades

Foto: freepik
Texto: Lenice Rubio
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acontece todos os anos como forma de autoavaliação ou ingresso ao ensino superior pelos alunos do ensino médio. Desde 2005, a prova que acontece no Brasil não apresentava um índice baixo de inscrições como em 2021. Neste ano, um pouco mais de quatro milhões de pessoas se candidataram para o exame, mas após o prazo de pagamento do boleto de inscrição, o número diminuiu para 3.109.762 pessoas.
Em comparação com a edição do ano passado, o Enem 2021 tem 53% menos inscritos. Os Estados que mais tiveram inscrições foram São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, os números mais baixos ficaram por conta de alguns Estados do Norte. Confira no gráfico abaixo a diferença entre as unidades federativas:

Um dos motivos que pode ter levado os candidatos a desistir de participar é a taxa de inscrição. As pessoas que solicitaram a isenção em 2020 e faltaram às provas sem justificativa formal foram proibidas pelo Ministério da Educação (MEC) de ganhar a isenção novamente neste ano.
No ano passado, 4,9 milhões de candidatos não precisaram pagar a taxa do exame, neste ano o número caiu para 1,7 milhão. O número de inscritos que confirmaram o pagamento foi de quase 990 mil em 2020 e 1,3 milhão neste ano. Ou seja, o Enem 2021 tem quase 400 mil inscritos pagantes a mais do que em 2020.
Gabriela Silva é professora e dá aulas particulares para candidatos ao vestibular. Ela associa esse fenômeno com a dificuldade do ensino remoto que os alunos do ensino médio de classes sociais mais baixas tiveram na pandemia. “A gente percebe que os alunos de escola pública estão com mais dificuldades para retomar o ritmo de estudos, o desemprego nas famílias afetou o rendimento dos alunos. O MEC deveria também isentar os alunos que não puderam fazer as provas em janeiro, estamos em um período diferente e muitos alunos deixaram de ir por medo de se contaminarem”, afirma Gabriela.
Outro fator que é importante mencionar é a relação de inscritos por faixa etária. Nos últimos quatro anos, o número de candidatos com 17 e 18 anos (idade em que se conclui o ensino médio) se assemelhava ao conjunto de candidatos com idades entre 21 e 30 anos. Porém, neste ano, a soma de candidatos com 17 e 18 anos é mais que o dobro da faixa etária de 21 a 30. Isso pode representar a prioridade que os alunos concluintes seguem dando ao Enem. As demais idades provavelmente tiveram mais dificuldades de conciliar os desafios impostos pela pandemia e o estudo para o vestibular. Veja o gráfico:

O estudante Filipe Souza, de 20 anos, é um dos candidatos que desistiu de fazer o Enem neste ano. “Minhas prioridades se tornaram outras. Hoje eu penso em ajudar os meus pais a pagar as contas. Vou adiar o meu sonho, até porque é difícil estudar pela internet, não consigo ter foco”, declara o jovem.
Realidade local
No Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism), promovido pela UFJF, também foi possível sentir o impacto da pandemia no número de inscritos para a prova. Em 2019, 40.202 estudantes do ensino médio se inscreveram. No ano passado, o número de inscritos foi para 34.035. Dos 8.014 candidatos inscritos para o módulo III do exame, 1.716 se ausentaram (21,46%), o dobro de faltosos se comparado ao Pism realizado em 2019, com 7.549 inscritos e 767 abstenções (10,16%).


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