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Olimpíadas Multicor: uma competição marcada pelo respeito e diversidade

  • 12 de ago. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 12 de ago. de 2021

Mesmo considerada uma edição histórica, com mais de 160 atletas assumidamente LGBTQIA +, o ambiente esportivo ainda é muito hostil para essa comunidade

Por Felipe Fernandes.


Alguns atletas LGBTQIA+ representantes do Brasil em Tóquio 2020

(Foto: Reprodução)


Os Jogos Olímpicos de Tóquio entraram para a história. Além de encantar o mundo com belas apresentações, foi um momento para falar de respeito e diversidade. Essa foi a edição com mais atletas LGBTQI + declarados, um avanço na defesa pela diversidade sexual e de gênero.


Segundo dados do site OutSport, 163 esportista gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, queer e não-binários participaram da competição. O número já é o dobro da quantidade de participantes nas Olimpíadas de Londres, 2012, e Rio de Janeiro, em 2016. Somadas, as duas últimas competições totalizam 79 pessoas nessas condições.


Para o professor Marco Duarte, responsável pelo Programa de Extensão-Centro de Referência de Promoção da Cidadania LGBTQI+ (CeR-LGBTQI+) e Projeto de Extensão – DIVERSE , da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), apesar do saldo positivo, ainda existem muitos desafios para que ocorra uma verdadeira integração da comunidade no meio desportivo.


“Apesar do campo dos esportes ainda ter a hegemonia cis-hétero-sexista, representada pelos homens brancos, machistas e heterossexuais, temos visto uma mudança significativa, de representatividade e de inclusão nos últimos anos. Ainda não é uma briga vencida. Porque é bom sinalizar que essa visibilidade não foi conquistada sem muita luta no enfrentamento dos preconceitos e discriminações. Há uma homofobia institucional no futebol brasileiro, por exemplo, que é o tabu sobre a camisa de número 24 dos jogadores de futebol”, enfatiza Marco Duarte.

O professor ainda acrescenta que de "fato as Olimpíadas de Tóquio revelaram um número recorde de pessoas assumidamente LGBTQI +, mostrando que, apesar da intolerância institucional, o esporte pode e deve ser um ambiente integrativo, receptivo e de inclusão da diversidade. Isso fortalece a luta e serve de inspiração e coragem para essa comunidade que, ainda hoje é marginalizada” ressalta Duarte.


Apesar do conservadorismo, o Brasil esteve entre os cinco países das Olimpíadas com mais membros LGBTQ+ . Ao todo foram 15 esportistas: Marta da Silva (futebol), Andressa Alves (futebol), Bárbara Barbosa (futebol), Formiga (futebol), Letícia Izidoro (futebol), Aline Reis (futebol), Debinha (futebol), Izabela da Silva (atletismo/disco), Babi Arenhart (handebol), Isadora Cerullo (rúgbi), Silvana Lima (surfe), Ana Marcela Cunha (natação), Ana Carolina (vôlei), Carol Gattaz (vôlei).


Já o time masculino foi representado por Douglas Sousa (Vôlei), que se tornou um fenômeno nas redes sociais, atingindo mais de três milhões de seguidores, com publicações bem-humoradas.


A hostilidade no esporte:


A atleta amadora de vôlei e mulher Trans Dani Nunes convive com a discriminação no esporte desde a infância. A quadra era o único lugar em que conseguia se socializar e mostrar quem era de verdade. Sua terapia sempre foi as “quatro linhas”, mas era necessário travar uma luta diária para conseguir ocupar seu espaço. Sempre foi muito discriminada por seus colegas e treinadores. Para ela, o meio desportivo ainda é muito hostil com a comunidade LGBTQIA +.


“Acompanhei as competições de Tóquio, e não posso dizer que me senti representada pois ainda não é um lugar harmonioso para pessoas trans. Laurel, a primeira mulher transgênero a disputar as Olimpíadas, fez história em cima de muito ódio destilado em forma de opinião. Queria que ela tivesse ido sem tanta responsabilidade, apenas com o foco em ganhar uma medalha, pontua a jogadora.



Dani avalia que, mesmo tendo sido uma competição histórica, ainda é preciso muita luta para ultrapassar a barreira do preconceito. “Houve conquistas significativas, sim, como da Rebeca Andrade (ginástica artística), uma mulher negra, que conquistou o título da primeira atleta brasileira a ter duas medalhas em uma competição olímpica. Mas, a gestão dos clubes é feita por homens brancos cisgêneros e heterossexuais. Isso faz com que o ambiente reproduza opressão o tempo inteiro. Atletas LGBTI não saem do armário para não perderem patrocínio. Eu vejo ainda com muita desconfiança, mas é preciso ter esperança de que o esporte se torne um projeto de nação”, enfatiza Dani.


Linguagem neutra nas Olimpíadas


Outro fato que marcou a cobertura olímpica foi a utilização do pronome neutro para se refir a duas atletas não-binário (que não se identifica com o sexo feminino e nem com o sexo masculino). A linguagem pouco conhecida pelo grande público apareceu na narração da estreia do futebol feminino e também em uma partida de skate, ambas transmitidas pelo canal Sportv.






 
 
 

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