Mercado de streamings ascende na pandemia
- 4 de ago. de 2021
- 4 min de leitura
Aumento do consumo de áudio e vídeo pode ser uma opção de escape da realidade pandêmica
Por Clara Xisto

O isolamento social foi um dos principais marcos de 2020, o ano em que o mundo “parou”, em virtude da Covid-19. Com isso, os espaços virtuais foram vistos como facilitadores da manutenção de algumas atividades que antes eram realizadas, majoritariamente, de forma presencial.
Os shows migraram para as redes sociais através de lives, as aulas deram espaço ao ensino a distância, assim como os filmes e séries passaram a ser consumidos preferencialmente em streamings, plataformas com tecnologia de transmissão de conteúdo on-line. Este foi um dos mercados de maior ascensão durante o período.
A Netflix, primeira plataforma paga do nicho, surgiu em 1997, como uma tentativa de levar ao setor de locação certa praticidade, iniciando sua caminhada para o streaming, dez anos depois. Esta abriu caminho para outras, do mesmo ramo, que durante o período de pandemia têm apresentado crescimento exorbitante. Segundo a Conviva, empresa especializada em inteligência integrada de dados, os serviços do ramo cresceram 20% globalmente em março de 2020, mês em começou o isolamento, em comparação com os números de duas semanas anteriores.
No primeiro semestre de 2020 no Brasil o ramo cresceu 60%, sendo o sexto colocado no ranking de maior mercado do mundo, nesta tendência, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. Além disso, nos últimos meses o país contou com o lançamento de duas importantes plataformas de filmes no Brasil, o Disney +, em novembro de 2020 e a HBO Max, em 29 de junho de 2021.
Espectadores
Para a jornalista e produtora de conteúdos relacionados à cultura pop, Thaís Mariquito, esse aumento se deve a vários fatores, considerando que as plataformas já estavam em ascensão há alguns anos, tendo o isolamento como possível acelerador do processo de digitalização dessa área.
A influenciadora também pontua que, no contexto da pandemia, e pensando pelo lado das produtoras e distribuidoras, os streamings acabaram se tornando a única forma de lançar filmes ao longo de 2020, seguindo o mesmo caminho em 2021. “Diversos longas que estreariam nos cinemas, no ano passado, foram vendidos para os streamings, como é o caso de Malcom and Marie, que saiu esse ano na Netflix, e Mulan, que estreou no fim de 2020 no Disney +”.
Lucas Feliciano, acadêmico do Instituto de Artes e Design na Universidade Federal de Juiz de Fora e consumidor assíduo de conteúdos como filmes e animações, viu seu tempo sendo cada vez mais dedicado à atividade. Atualmente, é assinante de cinco plataformas deste tipo, sendo três dedicadas a produções audiovisuais e uma de áudio.
Suas preferências, durante o período de isolamento social, são o Amazon Prime Vídeo, que oferece programas de televisão e filmes para aluguel ou compra, e o Crunchyroll, que disponibiliza conteúdos de vídeos de mídia asiática, como anime, mangá, dorama, música, entretenimento eletrônico, entre outros.
Entreter para esquecer
Thaís produz conteúdos para o Youtube, principalmente relacionados a comédias românticas e filmes adolescentes. A partir disso, percebeu um aumento na quantidade de produções direcionadas à cultura pop, às redes sociais, assim como nos mais variados nichos, desde o início do isolamento social.
A influenciadora considera que “produzir e consumir conteúdo na internet se tornou nossa única forma de contato com o mundo exterior durante esse período de isolamento que está sendo tão difícil. Nós nos voltamos mais para o entretenimento, porque ele serve também como um escapismo”.
Lucas, como artista, também percebe esse viés e entende que há possibilidade de uma maior valorização de conteúdos artísticos, quando o isolamento chegar realmente ao fim, considerando inclusive, a capacidade destes como agentes positivos relacionados à saúde mental dos consumidores.
Entretanto, teme ideias pré- concebidas, que menosprezam os artistas: “Tenho certo receio sobre como ainda veem o profissional do audiovisual, seja ele qual for. Acredito que ainda exista e vá existir durante muito tempo o preconceito direcionado à essas áreas”, ressaltou Lucas.
Polêmicas
Mesmo com o retorno dos lançamentos de filmes em salas de cinema de todo o mundo, percebeu-se uma nova possibilidade, que estes também estivessem simultaneamente disponíveis nos streamings. Esse foi o caso de alguns filmes, dentre eles “Viúva Negra”, lançado pela Marvel, pertencente à Disney, em julho de 2021, também disponível no Disney +. Para assistir, o espectador deve ser assinante, pagando R$27,90, mais uma quantia extra pelo filme.
Entretanto, Scarlett Johansson que dá vida à protagonista na obra, está processando a empresa por quebra de contrato. Isso porque no acordo com a Marvel, o lançamento aconteceria exclusivamente nas salas de cinema e seu salário estava majoritariamente atrelado aos lucros da bilheteria. Portanto, os valores arrecadados pelo lançamento no streaming não foram repassados à atriz. A Disney, por sua vez, publicou nota via Variety, afirmando que Johansson estaria, com seu processo, desrespeitando os efeitos da pandemia da Covid-19.
Segundo informações da newsletter estadunidense “What I’m Hearing…”, Emma Stone e Emily Blunt, que passaram pelo mesmo processo de Johansson, podem se juntar à atriz e estariam apenas esperando alguém de notoriedade se pronunciar sobre o caso.
“ScarJo, Emma Stone e Emily Blunt a caminho de processar a Disney”
Quero todos, e agora?
Hoje, com a multiplicidade de plataformas de streaming disponíveis, não é fácil escolher entre as melhores para fechar uma assinatura. Por isso, esse levantamento de preços pode te auxiliar na escolha. Nele estão presentes os serviços mais populares da atualidade, com cada valor, que pode variar entre R$9 e 60R$. Faça as contas e veja o que cabe no seu bolso!


Comentários