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Manifestações pedem impeachment de Bolsonaro, vacina, pão, saúde e educação

  • 27 de jul. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 31 de jul. de 2021

Entidades se reuniram em protestos no Brasil e no mundo

Por Clara Xisto

Juiz de Fora se uniu às manifestações contra o governo atual, no dia 24 de julho. Foto: Estela Loth

No último sábado, 24 de julho, manifestantes deram continuidade aos protestos contra o governo Bolsonaro, que tiveram início em 29 de maio de 2021. Dessa vez foram confirmados aproximadamente 426 atos, em 405 cidades e 15 países. Tais números ecoam a pesquisa realizada pelo Datafolha, em que 63% dos entrevistados afirmaram que o presidente não tem capacidade para liderar o Brasil.

Até a primeira data, grande parte daqueles que se posicionavam de forma contrária ao governo se mostravam receosos quanto à participação em atos presenciais. Isso porque uma das principais motivações destes é a gestão da pandemia da Covid-19, por parte do Poder Executivo, que investiu em medicamentos ineficazes, trocas constantes de ministros da Saúde e insuficiência nos processos de vacinação.

Entretanto, segundo Fernando Perlatto, Doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), o avanço da vacinação e a forma de organização dos atos podem ser os principais fatores que influenciaram o aumento da participação da população nesses eventos.


Proteção contra o vírus


Entidades e sindicatos têm realizado algumas ações, em Juiz de Fora, com o objetivo de garantir a segurança dos manifestantes. De acordo com Lis Machado, representante do Comitê Fora Bolsonaro pela executiva do Partido dos Trabalhadores, nos atos estão sendo distribuídas máscaras, álcool em gel, além da organização por filas indianas que garantam o distanciamento de ao menos 1,5m entre cada manifestante. A cidade aderiu a todos os protestos realizados nacionalmente.

Alessandra Barros participou de todos os atos em Juiz de Fora. “Fui à primeira manifestação com muito medo da aglomeração, mas encontrei algo muito organizado e com uma preocupação ímpar em manter os protocolos de segurança, o que me deixou confortável”.

Dessa forma os atos vêm se tornando cada vez mais frequentes. Dentre os dias 29 de maio e 24 de julho já foram cinco.



Foto: Rubens Ragone

“O Bolsonaro e seus generais estão a serviço dos capitalistas e não da população brasileira. Além do negacionismo, vimos o ‘negocionismo’ junto à compra de vacinas, venda de falsos remédios e testes vencidos. [...] A saída é ir para rua... A saída é pela mobilização popular e da classe trabalhadora indo às ruas.” Lis Machado



Dentre as principais reivindicações estão o impeachment de Bolsonaro; defesa de vacinação em massa; aumento do valor do auxílio emergencial, que hoje tem valor médio de R$250; defesa dos serviços públicos; contra os cortes no orçamento da educação pública; contra as privatizações; contra a Reforma Administrativa; contra a fome, que hoje é a realidade de mais de 19 milhões de pessoas no país, entre outras.

Dentre as reivindicações dos manifestantes estão: vacinação, alimentação e educação. Foto: Estela Loth
Foto: Estela Loth
Ir para as ruas é ato de resistência, é mostrar nossa indignação com as atrocidades do governo atual. Não podemos ficar passivos e calados. E a cada manifestação, infelizmente, tem uma pauta nova, pois a cada dia, Bolsonaro faz (ou não faz), fala algo contra o povo brasileiro (auxílio emergencial de R$150 reais, demora na compra das vacinas, falta da testagem em massa, superfaturamento, aumento absurdo dos preços da cesta básica, gasolina, etc).” Alessandra Barros

Unificação: o desafio


No dia 30 de junho, apoiadores e congressistas, partidos de oposição, personalidades contrárias ao governo, movimentos e associações, protocolaram o 124º pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. O “superpedido” uniu grupos contrários entre si em um único objetivo, atribuir ao chefe do executivo 23 crimes de responsabilidade que o tirariam do cargo.

Entretanto, tal união não se reflete na organização das manifestações. Grupos de direita, contrários ao governo, têm realizado seus atos em dias diferentes àqueles organizados pela esquerda, mesmo que tenham o mesmo objetivo. Perlatto entende que esse seja o maior desafio para ampliar a adesão aos protestos, mas acredita que possam se encontrar em algum momento, aumentando as chances de um possível desgaste do governo e um impacto mais significativo nas eleições de 2022.

“As manifestações, sejam aquelas organizadas pelas esquerdas ou por grupos mais à direita, têm um papel importante, porque até pouco tempo atrás as ruas estavam sendo ocupadas majoritariamente por apoiadores do presidente Bolsonaro. Então, em certo sentido elas servem como uma contraposição importante ao governo, e a essas manifestações de endosso ao presidente que estavam ocorrendo até então.” Fernando Perlatto



Reação


Em 20 de junho, após os protestos do dia 29 de maio e 19 de junho, Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais ironizando a adesão aos atos. Entretanto, só no dia 19 mais de 400 atos foram registrados no Brasil e ao redor do mundo, feito que se repetiu no último dia 24 e que pode ecoar nos próximos meses.







 
 
 

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