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Mães solo e os desafios profissionais na pandemia

  • 26 de ago. de 2021
  • 2 min de leitura

Mulheres que já sofriam para conciliar trabalho e maternidade enfrentam maiores dificuldades com o desemprego e o isolamento

Pequisa realizada pela ONG “Gênero e Número” e pela Organização Feminista “Sempreviva” concluiu que 47% das mulheres entrevistadas afirmaram ser responsáveis pelo cuidado de outra pessoa na pandemia. Foto: Pexels

Ser mãe solo é um desafio diário na vida de 11% das mulheres brasileiras. A pandemia mundial da Covid-19, que caminha para dois anos, foi capaz de inflar esse desafio de maneira a mudar completamente a vida de muitas dessas mulheres, tendo a área profissional se tornado um ponto primordial.

A PNAD Contínua, feita pelo IBGE, revela que 8,5 milhões de mulheres ficaram fora do mercado de trabalho no terceiro trimestre de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019. Outra pesquisa do Instituto, essa de 2018, mostra que 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza, ou seja, têm renda familiar per capita menor que cerca de R$ 436 por mês. Complementando esse dado, a pesquisa da Locomotiva diz que 39% das diaristas e 13% das mensalistas não estavam trabalhando nem recebendo em 2020. Conforme pesquisa do IPEA, quase 68% das trabalhadoras domésticas do Brasil são negras. Embora as dificuldades sejam próximas, ainda são as mães solo negras as que mais sofrem com a falta de emprego e renda nesse momento.




Empreendedorismo



Foto: Unsplash

Em meio a tanta instabilidade, muitas dessas mulheres tiveram suas vidas profissionais totalmente modificadas, seja entrando em situação de desemprego, começando um novo trabalho ou em um novo empreendimento.

A professora de ginástica, depiladora e designer de sobrancelhas Adriana Polisseni se viu nesse lugar de desamparo econômico. Com a chegada da pandemia, teve suas aulas suspensas e o trabalho com a estética drasticamente reduzido. Sua reinvenção veio de uma outra paixão: a cozinha.


Todos os meus trabalhos até então são próprios: ministrava aulas na igreja de um bairro da nossa cidade, Igreja São Mateus; tinha e continuo tendo uma sala alugada, onde realizo os procedimentos estéticos, e a fabriqueta de massas foi realizada na minha casa. As aulas que eram em grupo passaram a ser on-line para uma minoria, e aulas personalizadas nas casas das alunas
Adriana Polisseni

Para ela, os desafios dessa fase foram diferentes: ajustar os horários e aprimorar o aprendizado nas redes sociais enquanto administrava o filho em casa com as aulas on-line. Já ganhar o mercado, segundo Adriana, não foi difícil, embora a carga horária tenha aumentado muito. “A mudança foi uma necessidade de ter salário para o sustento dos filhos e pagamento das despesas da casa e da vida. Quanto à oportunidade, acredito que a gente que faz, cria, pensa e tem a atitude, o que é o diferencial e faz realizar”, finaliza ela.

Segundo o Ministério da Economia, o número de abertura de MEIs em 2020 cresceu 8,4% em relação ao ano anterior. Esse dado, apesar de parecer positivo, se deve muito à necessidade de geração de renda versus a alta taxa de desemprego no país, que atingiu a marca de 14 milhões de pessoas em 2020, a maior taxa desde 2012. No primeiro semestre de 2021, o número de desempregados ficou em 14,6 milhões de pessoas, segundo o IBGE.



Taxa de desocupados não engloba universitários, donas de casa e donos do próprio negócio. Gráfico: Letícia Dias








 
 
 

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