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Juiz de Fora não está isenta de sofrer com a crise elétrica

  • 5 de ago. de 2021
  • 3 min de leitura

Apesar dos reservatórios de água da região estarem com níveis seguros, a energia elétrica que abastece a cidade é produzida através do Sistema Interligado Nacional (SIN) e adquirida pela distribuidora através de leilões.



(crédito: Caio Coronel/Itaipu)

O Brasil entrou no período mais seco do ano com o nível dos reservatórios de água abaixo do esperado. Isso se deve, de acordo com o Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), ao baixo volume de chuvas registrado desde outubro de 2020, o menor índice dos últimos 91 anos. Por isso, o SNM emitiu em maio um alerta de Emergência Hídrica associado à escassez de chuvas para a região hidrográfica da Bacia do Paraná, que abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná para os meses de Junho a Setembro de 2021.


Em função deste cenário, vivemos um temor sobre um novo "apagão'', a crise elétrica ocorrida entre 1 de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002, que afetou o fornecimento e distribuição de energia elétrica.



Foto: Agência Brasil

Apesar do alerta emitido para a região hidrográfica que abrange os mananciais de água que abastecem Juiz de Fora, os reservatórios de água que abastecem a cidade estão com níveis que não preocupam as autoridades. No entanto, em relação ao fornecimento de energia elétrica, JF não está isenta de sofrer com os impactos de um possível racionamento, como ocorrido no início do século.


O motivo para isso é simples: de acordo com Isabela Miranda de Mendonça, professora do núcleo de Eletricidade do Campus Juiz de Fora do IF Sudeste MG, a energia elétrica produzida pelas usinas é transmitida por um sistema interligado por quase todo o território nacional, operado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e distribuído localmente pelas distribuidoras. Em Juiz de Fora, isso fica a cargo da Cemig Distribuição S/A, empresa que atende aproximadamente 96% do Estado de Minas Gerais, segundo dados divulgados em seu site.


Como funciona o sistema interligado nacional



Mapa do Sistema Nacional Interligado (SNI)- Fonte: ons.org.br

O Sistema Interligado Nacional (SIN) é responsável pela produção e transmissão da energia elétrica no Brasil, sendo um sistema hidro-termo-eólico de grande porte, com predominância de usinas hidrelétricas e com múltiplos proprietários. Constituído por quatro subsistemas, Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte, o SIN só não está presente no Estado de Roraima, que tem o abastecimento elétrico feito parcialmente pela Venezuela.


A interconexão dos sistemas elétricos é feita por meio da malha de transmissão, propiciando a transferência de energia entre os subsistemas, permitindo a obtenção de ganhos sinérgicos e explora a diversidade entre os regimes hidrológicos das bacias. Isabela explica a importância desta integração de recursos de geração e transmissão. “O sistema de transporte de energia nos permite o intercâmbio de energia de regiões com superávit para regiões com déficit”.


A capacidade instalada de geração do SIN é composta, predominantemente, por usinas hidrelétricas, que estão distribuídas em dezesseis bacias hidrográficas nas diferentes regiões do país. Isso se explica por dois motivos: vocação natural para a geração de energia elétrica através dessa fonte, visto que o Brasil possui muitos rios volumosos, especialmente na Amazônia, além dos chamados rios de planalto, que por terem quedas d’água, possuem potencial hidrelétrico; e, de acordo com a professora do IF Sudeste MG, a que possui melhor custo-benefício entre as fontes que compõem a matriz elétrica brasileira. Por isso que, desde meados do século 20, o nosso país investiu nesta fonte energética.


A matriz elétrica do Brasil



Matriz elétrica brasileira de acordo com dados de 2020, levantados pelo Balanço Energético Nacional. - Fonte: Balanço Energético Nacional

As principais fontes de energia elétrica no Brasil são a hidrelétrica (cerca de 65,2%); termoeléctrica não renovável (carvão e derivados: 2,7%; derivados de petróleo 2,1% e gás natural: 8,3%), termoelétrica renovável (biomassa: 9,1%) eólica (8,8%), nuclear (2,2%) e fotovoltaica (1,7%). Segundo Isabela, apesar das diferentes fontes que compõem a matriz elétrica, ela explora menos da metade de seu potencial.


Ela explica ainda que é necessário mais investimentos em recursos energéticos renováveis e também em tecnologia, para aumentar a capacidade de geração de energia através da biomassa e das usinas eólicas e fotovoltaicas, possibilitando ampliação e maior diversificação da matriz. “É preciso políticas públicas que incentivem o crescimento das energias alternativas, bem como a formação de profissionais qualificados em cada área”, explica Isabela.


 
 
 

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