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Iniciativa independente coleta e divulga dados sobre a Covid-19

  • 29 de jul. de 2021
  • 3 min de leitura

Por Giovanna Araújo


Com o avanço da vacinação no país, noticiar os dados sobre vacinados se mostrou uma tarefa importante e complexa. Alguns erros têm ocorrido devido a deliberações e escolhas dos veículos de imprensa nas coletas e divulgação dos dados, o que provoca desinformação a respeito do avanço da imunização no Brasil.



Foto: Freepik


Em junho de 2020, o governo federal deixou de divulgar dados sobre os números acumulados de casos e mortes de Covid-19 no Brasil. A partir desse momento, alternativas para que o acesso aos dados fosse garantido à população se estabeleceram, como o consórcio de veículos de imprensa, que une os principais veículos de imprensa do país. Jornalistas do G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL trabalham em conjunto com o objetivo de coletar e divulgar dados relativos à pandemia e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que desenvolveu um painel próprio sobre a Ccovid-19.


Entretanto, antes do apagão de dados do governo e antes mesmo de se espalharem casos no país, o painel COVID-19 no Brasil tem divulgado números de casos, óbitos e, mais recentemente, dados sobre vacinação. Os dados são diariamente atualizados na conta do Twitter @coronavirusbra1, que conta com 245 mil seguidores, criada por Carlos Achy e Gabriel Canário.







A iniciativa independente é movida por voluntários que se dedicam a buscar notícias e informações nos sites das Secretarias Estaduais de Saúde. Os números do painel são utilizados por pesquisadores do Brasil e do mundo, por jornalistas, e em portais de dados importantes como o Our World in Data e Johns Hopkins Coronavirus Resource Center.




Reprodução: covid19br.wcota.me

Site alimentado por Wesley Cota


Outra plataforma que utiliza dados da iniciativa é o site Quando vou ser vacinado?, desenvolvido por Renan Altendorf, que calcula uma previsão de vacinação levando em conta sua idade e estado. O cálculo é feito pela média dos últimos 7 dias de vacinação em cada estado.



Quem integra o time de voluntários da iniciativa?

São aproximadamente 8 pessoas responsáveis pela verificação, coleta e distribuição de dados. Dentre elas Leonardo Medeiros, Rafael Calpena e Wesley Cota


Leonardo Medeiros é cineasta e integra o time de voluntários do CoronavírusCorona Vírus Brasil desde o início da pandemia. Ele explica como a complexidade da coleta dos dados, “Nós temos dois tipos de dados (vacinação) que são os dados ‘normais’ e os ‘microdados’. Geralmente os painéis das secretarias estaduais informam somente os normais, que seriam quantas primeiras, segundas ou únicas doses foram aplicadas. Aí para os microdados, temos que utilizar os do Ministério. Eles contém, por exemplo, a data de cada aplicação, o fabricante e informações de quem recebeu, sexo, cidade, estado, idade - Só que aí tem uma defasagem - Atualmente esses dados ‘normais’ estão 8.000.000 de doses à frente dos dados completos, os microdados”.


Outra iniciativa que provém dos dados do painel é o bot do Telegram CoronavirusBrBot, criado pelo desenvolvedor Rafael Calpena. “O desenvolvimento do bot se deu logo no começo da pandemia, eu estava buscando uma forma de automatizar os dados para não ter que visitar o site do Ministério da Saúde a todo tempo”, conta Rafael. Atualmente, existem cerca de 3700 chats que recebem notificações do bot do Telegram (desses, cerca de 20 são grupos). Alguns usuários que não recebem notificações visualizam os dados manualmente.


Wesley Cota é PhD e em seu pós doutorado estuda modelagem de processos epidêmicos em redes complexas, é voluntário da página e alimenta um site próprio com dados do painel. De acordo com o pesquisador, tais dados ficam “escondidos” ou inacessíveis para a população e ressalta, ainda, a importância do trabalho do Coronavírus Brasil. “Mesmo que o objetivo inicial (para mim) fosse ter os dados para estudar modelos epidêmicos, quando fiz o site público e vi a repercussão que teve, deu para ver que o pessoal queria saber de forma transparente o que estava acontecendo. No início só falavam de casos a nível estadual, ninguém falava do interior e tudo mais. Elas queriam saber como estava sendo no município delas. Recebi vários elogios e agradecimentos de pessoas, jornalistas e pesquisadores de vários níveis/profissões diferentes.”







 
 
 

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