Como preparar o seu animal de estimação para o pós pandemia
- 28 de jul. de 2021
- 3 min de leitura
A solidão pode ter diversos efeitos na saúde do bichinho
Por Ludimila Coelho

É certo que o isolamento social tem sido difícil para todo mundo, mas os animais nunca foram tão felizes como agora que podem passar os dias inteiros com os seus melhores amigos. Apesar disso, a volta à rotina de antes pode não ser muito fácil para eles.
Especialistas afirmam que todo esse tempo passado ao lado dos seus tutores pode resultar em uma dependência, fazendo com que o animal desenvolva ansiedade quando está longe.
Foi aplicado um questionário a 62 donos de animais que tiveram que mudar a sua rotina e passar mais tempo em casa graças à pandemia.
90% dos entrevistados disseram que perceberam que os animais gostaram de ter os seus tutores por perto na maior parte do dia, 66.7% notaram uma mudança no comportamento do animal quando ele voltou a ficar mais tempo sozinho e 18.3% já começou ou pretende começar um tratamento para tratar a ansiedade desenvolvida pelo animal nesse processo.
Dentre essas mudanças notadas no comportamento dos animais, os sintomas mais comuns entre os pets dos entrevistados, foram:
De acordo com a veterinária Daniele Krass, se o animal apresenta um ou mais dos sintomas citados, é preciso observar se esse comportamento já está acontecendo a um certo tempo, pois é possível que ele esteja apresentando um quadro de ansiedade.
Leandra Louis, que já era tutora de dois gatos antes do início da pandemia, adotou mais dois durante o isolamento social e hoje divide um apartamento com eles e seus pais. Com a volta gradativa à rotina anterior, a estudante de Serviço Social percebeu que seus animais estavam sofrendo muito com essa mudança.
Em um episódio, Eva, sua gata de um ano, acabou engolindo uma fita de um enfeite de cabelo e teve que ser levada às pressas ao hospital, onde ela precisou fazer uma cirurgia para a retirada da mesma, já que ela poderia se enrolar no intestino e resultar em problemas mais sérios.

Durante o processo, a gata foi diagnosticada com Síndrome de Pica, uma compulsão, onde o animal come coisas que não são alimentos, no caso de Eva, essa síndrome é desencadeada pelo estresse.
Depois do ocorrido, Leandra teve que realizar diversas mudanças na casa e na sua rotina, para tentar diminuir o estresse de seus gatos, como enriquecer o ambiente, não passar muitas horas fora de casa e não deixar coisas caídas que sua gata possa comer. Apesar dessas mudanças, a tutora ainda pretende procurar um especialista para saber a melhor maneira de agir nessa situação.
Como lidar com a ansiedade de separação nos animais
De acordo com a veterinária Daniele Krass, os pets expostos ao estresse da separação estão suscetíveis a várias doenças. Isso porque eles também têm depressão e procuram meios para poder suprir essa falta.
Esses meios podem ser começar a andar em círculos, desenvolver um comportamento agressivo e parar de se alimentar. Essa soma de fatores pode resultar em uma queda da imunidade, facilitando a instalação de doenças no corpo dele.
"Os animais têm a tendência de se moldarem conforme a rotina do seu tutor. Isso porque são guiados por repetições e ações, por isso, o ideal é que o tutor mantenha seu horário de trabalho reservado em um ambiente onde esse animal não tenha acesso."
Mas se o retrocesso já ocorreu, é importante fazer um bom trabalho para com que esse pet se acostume a ficar sozinho novamente. O processo deve ser gradativo, em que o tutor se isola aos poucos em um ambiente como se estivesse fora de casa.
Daniele também acredita que é importante enriquecer o ambiente, para que o animal possa se distrair ao longo do dia e brincar para queimar energia quando estiver em casa. Tudo isso respeitando o tempo dele, para que o processo não seja traumático.
Dicas simples de como enriquecer o ambiente para o seu pet
Dependendo da quantidade de tempo que o animal vai passar sozinho, também é interessante pensar em adotar um “irmãozinho” para que ele não se sinta sozinho.
Apesar de todas essas dicas, é importante lembrar que cada animal é diferente e, caso os sintomas perdurem por muito tempo, é necessário buscar a ajuda de um veterinário, para que ele estude o caso do seu bichinho e tome as medidas necessárias.


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