Audiência pública marca pressão para o retorno presencial das aulas em Juiz de Fora
- 25 de ago. de 2021
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Sindicato dos Professores e movimento Escolas Abertas se manifestam quanto a possibilidade de retorno em setembro
Por Clara Xisto

A Câmara Municipal de Juiz de Fora realizou na última terça-feira uma audiência pública, atendendo ao requerimento 1885/2021, de autoria dos vereadores Marlon Siqueira, Juraci Sheffer e Maurício Delgado, para tratar do retorno às aulas presenciais na cidade. Para compor o debate foram convocadas as secretárias de Educação, Saúde e Governo, Nadia Ribas, Ana Pimentel e Cidinha Louzada, respectivamente.
Entre os convidados estavam representantes do Ministério Público de Minas Gerais, a organização "Escolas Abertas", composta por mães e pais de alunos em prol do retorno presencial imediato, além das entidades sindicais das trabalhadoras e trabalhadores da educação.
A secretária de educação, Nadia Ribas, apresentou as ações realizadas pela Prefeitura de Juiz de Fora desde janeiro, quando assumiu o cargo. Dentre as atividades, estão as visitas para detecção e adaptação das instituições de ensino, para que estejam aptas a retornar à modalidade presencial de ensino de forma segura, tanto para os trabalhadores da educação, quanto para os estudantes.

Segundo a secretária de saúde, Ana Pimentel, a retomada presencial das aulas é um processo que depende tanto de indicadores epidemiológicos, quanto de questões pedagógicas e sociais. Ana afirmou que Juiz de Fora segue os parâmetros de avaliação da Fiocruz para analisar se a cidade está apta ou não a um retorno presencial, híbrido e facultativo. Além disso, a secretária afirmou que algumas adaptações foram instaladas na cidade, para que não haja uma nova onda de contaminação pela Covid-19.
Cidinha Louzada, secretária de Governo, afirmou, durante a audiência, que o retorno híbrido, em Juiz de Fora, ainda não aconteceu pelo fato de a Prefeitura não querer revogar a decisão, quando ela de fato for tomada, ou seja, não existe interesse, por parte do governo, de fechar as escolas da cidade, após a volta às aulas presenciais, como vem acontecendo em algumas cidades do país.
Além disso, afirmou que, caso os protocolos sanitários, que evitam a proliferação do vírus, sejam seguidos e os profissionais estejam completamente imunizados, Juiz de Fora terá um ensino híbrido e facultativo a partir de setembro, mas não determinou uma data exata para o retorno.
Rodrigo Ferreira de Barros, da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde da Macrorregião Sanitária Sudeste, esteve presente na audiência e afirmou que a cidade está apta para um retorno presencial e que a nota técnica pela qual a Secretaria de Saúde se baseia não mais se aplica à realidade do município.
Para o infectologista do Hospital Universitário da UFJF, Rodrigo Daniel de Souza, os riscos de um retorno das aulas presenciais, neste momento, dependem do grau de adesão às medidas de prevenção. Além disso, afirma que a primeira dose da vacina contra a Covid-19 já garante certo grau de imunidade aos professores, evitando, em certa medida, que casos graves ocorram na cidade, a partir do retorno. “Existem, para todos os cenários, medidas de mitigação de risco que podem ser tomadas para permitir um retorno seguro das atividades presenciais”, afirmou Rodrigo.
Retorno presencial de forma híbrida
O movimento “Escolas Abertas” foi fundado em fevereiro de 2021, por pais de alunos da rede particular de ensino que se manifestam pelo retorno imediato da modalidade presencial, de modo híbrido, mesclando essa ao remoto, e facultativo, adotando os protocolos sanitários.
Segundo Maressa Souza, líder do movimento, “as pesquisas científicas mostram que crianças são baixos vetores de contaminação e transmissão e portanto, com o protocolo e equipamentos de segurança, a escola pode ser um ambiente mais seguro que outros ambientes que eles estão frequentando”.
Entretanto, segundo o boletim epidemiológico de Minas Gerais, foram registrados mais de 2 milhões de casos no estado desde março de 2020. Destes, aproximadamente 9,7% das vítimas têm de 0 a 19 anos, sendo mais de 190 mil casos em crianças e adolescentes.
“A gente realmente acha que as aulas já deveriam ter retornado e tem uma expectativa para que realmente essa fala da secretária de governo [sobre retorno presencial em setembro] tenha eficácia. Ela fala de setembro, mas condiciona a uma série de fatores, inclusive a questão da vacinação da segunda dose e a gente sabe que essa vacinação pode ser atrasada por uma série de fatores, então a gente, enquanto movimento, vai continuar articulado para continuar nessa luta para que as aulas realmente retornem.” Maressa Souza, líder do movimento Escolas Abertas
Condições para o retorno
Dina Pereira, diretora do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro-JF), afirma que é desejo da categoria do magistério que o retorno se concretize, tendo em vista o aumento da carga horária de trabalho a qual estes estão submetidos. “Desejamos e defendemos um retorno seguro, com a vacinação completa de todos os profissionais envolvidos nas atividades educativas, preparação das escolas para os protocolos biossanitários, treinamento dos profissionais e garantia de equipamentos para trabalhadores e alunos”.

O movimento Escolas Abertas entende que a prioridade para o retorno neste momento não pode ser condicionada à vacinação de professores, já que outros profissionais não condicionaram a vacinação para o retorno das suas atividades.
Conscientização
Com a possibilidade de retorno para setembro deste ano, tanto o Sindicato dos Professores, quanto o movimento Escolas Abertas estão realizando ações de conscientização em relação aos protocolos sanitários para um retorno presencial seguro, que não dê margem ao surgimento de uma nova onda de coronavírus na cidade.
Em suas redes sociais, o Escolas Abertas vem realizando lives com especialistas para conscientizar os pais e responsáveis quanto aos cuidados e protocolos a serem seguidos, além de mensagens com orientações via WhatsApp, para os mesmos.
O Sinpro-JF vem realizando seminários, discutindo em assembleias, participado de diálogos em todos os espaços possíveis, se organizado com as demais entidades representativas de trabalhadores para difundir o maior número de informações seguras e balizadas pela ciência, como afirma a diretora do sindicato.
"Cobramos das autoridades competentes a divulgação dos protocolos para que toda a população se inteire deles, compreenda sua importância e colabore com as escolas e seus profissionais. Entendemos que a participação das famílias no contexto do retorno é fundamental”. Dina Pereira, diretora do Sindicato dos professores de Juiz de Fora


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