Atletismo brasileiro convoca delegação histórica de 52 esportistas para as Olimpíadas
- 21 de jul. de 2021
- 5 min de leitura
Atualizado: 28 de jul. de 2021
Brasil passa de 300 vagas confirmadas para Tóquio e bate recorde com maior delegação enviada ao exterior para uma Olimpíada
Por Ana Schuchter

Núbia será a representante do Brasil no salto triplo Foto: Twitter / Time Brasil
No início do mês de julho, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) anunciou os(as) convocados(as) para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Mas, você já deve estar acompanhando as movimentações do evento! A grande novidade desta edição é a seguinte: entre as equipes feminina e masculina, o país terá 52 representantes na modalidade, considerada uma das mais nobres e tradicionais.
Apesar do atletismo brasileiro chegar aos Jogos Olímpicos com várias chances de medalhas. Os destaques ficam por conta de Darlan Romani, do arremesso de peso, Alison Santos, dos 400m com barreiras, e Paulo André Camilo, que compete nos 100m rasos e no revezamento 4 x 100m. O campeão olímpico na Rio 2016, Thiago Braz, também defenderá o título no salto com vara.
A perspectiva é que o país conquiste ao menos uma medalha e chegue a 12 finais, alcançando mais um novo recorde histórico com atletas que não chegam como favoritos ao pódio, mas que podem surpreender com suas marcas recentes. Núbia Soares, do salto com triplo, conseguiu o índice olímpico no penúltimo dia da janela e tem chances de surpreender: depois de ter sido a terceira no ranking mundial de 2018 (14,69m) e enfrentado uma uma série de lesões no último ano, ela irá às Olimpíadas com chances reais de final.
A perspectiva é que o país conquiste ao menos uma medalha e chegue a 12 finais, alcançando mais um novo recorde histórico com atletas que não chegam como favoritos ao pódio, mas que podem surpreender com suas marcas recentes. Núbia Soares, do salto com triplo, conseguiu o índice olímpico no penúltimo dia da janela e tem chances de surpreender: depois de ter sido a terceira no ranking mundial de 2018 (14,69m) e enfrentado uma uma série de lesões no último ano, ela irá às Olimpíadas com chances reais de final.
Em Tóquio, a modalidade vai ter um total de 1.900 competidores, com a limitação de três representantes por país em cada prova. Além disso, ocorrerá a estreia do revezamento 4x400m rasos misto.
O pioneirismo do ranking da Word Athletics devido à pandemia
A crise sanitária e de saúde da Covid-19 foi a grande responsável pelo alto número de classificação de atletas. Diante dos impactos de impossibilidade ou flexibilização do treinamento e comprometimento dos programas de incentivo a atletas, o Comitê Olímpico Brasileiro adotou duas possibilidades de classificação: através do ranking da World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) ou dos índices técnicos.
Marcos Vinícius, professor e pesquisador da modalidade do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Juiz de Fora - Campus Governador Valadares (UFJF-GV) comentou sobre os desafios dos representantes brasileiros:
A maior parte dos esportistas conseguiu a convocação pelo novo ranking da World Athletics, cuja pontuação é previamente definida para cada marca de cada prova. A partir daí, a depender do nível do torneio e da classificação do atleta na prova, ele recebe um bônus.
A CBAt, apesar de afirmar que o tratamento é igualitário para todos (as), admitiu que confere uma atenção especial aos(as) atletas com chances reais de medalha.
‘’ O que está marcando nosso trabalho é a meritocracia, vamos organizar para que os atletas tenham um tratamento igualitário, mas alguns estão com atenção especial na sua preparação e isso vai continuar em Saitama [onde será feito o período de aclimatação] e na Vila Olímpica ‘’, disse Cláudio Castilho (Folha de São Paulo), que será chefe da missão em Tóquio. O representante não quis se comprometer com metas, porém afirmou que o alto número de atletas deixa o Brasil "mais perto da zona de medalhas’’.
Amanda Oliveira, atleta brasileira mais bem colocada no Pan do Canadá de Cross Country, também acredita na potencialidade do time brasileiro, principalmente nas provas de barreiras e revezamento 4x100. Ela compartilhou as suas expectativas sobre a conquista de medalhas:
Atletas da modalidade se destacam no Ranking Mundial
No Ranking Mundial, a equipe brasileira alcançou a seguinte performance de destaque: (não ficou claro o critério que você usou para relacionar esses seis atletas. São os mais bem ranqueados entre os 52, de acordo com o Ranking Mundial.

O atletismo, formado pelas modalidades de corrida, lançamentos e saltos, foi um dos esportes precursores da primeira Olimpíada da Era Moderna, em 1896. Desde então, para o pesquisador Marcos Vinícius, a evolução da modalidade ao longo das edições é visível, a exemplo das provas mistas.
Alison dos Santos "Pio" 400m com barreira Mundial de Atletismo Doha 2019 é o terceiro do ranking mundial e, provavelmente, irá disputar o ouro com o recordista mundial Karsten Warholm e do americano Rai Benjamin.
Darlan Romani também está na briga direta pelo pódio em Tóquio. Ficou em quarto lugar no arremesso de peso no Mundial de 2019, mesmo fazendo uma marca que lhe renderia o ouro nas Olimpíadas do Rio. Atleta da marcha atlética 20km, Érica de Sena é uma boa esperança de medalha. Foi a quarta colocada no Mundial de 2019 e está entre as oito melhores do mundo há seis anos.

Érica Sena marcha atlética — Foto: Divulgação
A performance e resiliência de Núbia Soares
A saltadora brasileira Núbia Soares também conseguiu a vaga no último dia possível para atingir a marca e ficou a apenas 1 centímetro do recorde brasileiro - que já é dela. Aos 25 anos, ela vai para sua segunda edição das Olimpíadas com uma carreira marcante e conturbada: o processo de classificação para os Jogos de Tóquio foi uma verdadeira montanha-russa para a atleta depois de não conseguir participar do Rio 2016.
Após a morte do seu técnico Tide, em 2018, a atleta ficou sem clube no Brasil e fez o melhor salto da carreira, na França, classificando-se entre as três melhores do mundo com a marca de 14m69. Em seguida, algumas lesões e problemas físicos a tiraram de competições por um ano. Mas, na Espanha, Núbia pôde se recompor e foi treinar com cubano Ivan Pedroso, ao lado da campeã mundial Yulimar Rojas, da Venezuela.

Núbia Soares iniciou a sua trajetória esportiva no handebol (Divulgação)
Ao longo da classificação, ela vivenciou os impactos da pandemia, apesar de ter conseguido contorná-los: ‘’O adiamento me ajudou em partes. No ano de 2020 tive muitas lesões recorrentes, o adiantamento me permitiu tratar isso, e me fortalecer fisicamente e psicologicamente. Mas, claro, a pandemia foi um mal que afetou a todos.’’
Ela também defende que a falta de incentivo e apoio aos atletas no Brasil seja um grande dificultador: ‘’Desde 2016, no atletismo, o número de patrocínios diretos caiu muito, ainda mais com a pandemia que muitas marcas infelizmente não conseguiram seguir apoiando os atletas. Acredito que tanto a Confederação e o Governo devem incentivar mais o atletismo, dar o apoio necessário e não só ajudar o atleta quando ele já é um atleta de alto rendimento. Devem fortalecer e incentivar a base e fortalecer o apoio para os atletas já profissionais’’.
Mineira, a esportista da cidade de Lagoa da Prata, compartilhou suas expectativas sobre as Olimpíadas:
‘’Acredito que nesta edição bateremos o recorde de finais olímpicas e também de medalhas, acredito muito no esforço de todos e como atleta torço muito por finais olímpicas e medalhas.’’
As competições de atletismo serão disputadas de 29 de julho a 8 de agosto no Estádio Olímpico do Japão, na capital japonesa. Já as provas de marcha atlética e maratona ocorrerão no Sapporo Odori Park, a cerca de 800 km de Tóquio.


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