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Adoção de animais de estimação cresce durante a pandemia

  • 24 de ago. de 2021
  • 3 min de leitura

Isolamento social acentuou a necessidade de companhia


por Bianca Barros

Realizar uma adoção responsável é importante (Foto: McCutcheon/Pexels)

Com a pandemia da Covid-19 e as drásticas mudanças de rotina que o vírus trouxe consigo, a necessidade humana de companhia e afeto se acentuou como consequência do isolamento social. Em resposta a essa necessidade, a adoção de animais domésticos aumentou em todo o país.


Em São Paulo, por exemplo, a organização não governamental União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), localizada na Zona Norte da cidade, registrou um crescimento de 400% na procura por cães e gatos.


A servidora pública e ativista da causa animal, Miriam Neder, voluntária da Sociedade Juizforense de Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente (SJPA), conta que, durante os primeiros meses de pandemia, as adoções em Juiz de Fora aumentaram cerca de 20%. Entretanto, alguns meses depois, esse número ficou abaixo da média.


Motivação

O sentimento de solidão causado pelo isolamento social foi um dos principais motivos por trás do aumento da adoção de pets na pandemia. O estudante Hugo Netto é um exemplo disso.


Eu sempre tive vontade de adotar um pet, mas meus pais não gostavam da ideia, e depois que fui morar sozinho eu dividi apartamento durante três anos, então fui me acostumando que isso seria um plano pro futuro. Mas aí, coincidentemente, eu mudei de casa aqui em Juiz de Fora, comecei a morar sozinho, e veio a pandemia e eu voltei pra minha cidade. Nisso eu já estava pensando em colocar um bicho aqui por ser a minha casa. Chegando lá na minha cidade, como todo mundo que estava realmente respeitando a quarentena, eu estava me sentindo muito sozinho, e arrisquei falar com a minha mãe sobre adotar um gato. — Hugo Netto, estudante

Apesar disso, foi só quando já tinha voltado para Juiz de Fora, meses depois e após algumas tentativas frustradas, que Hugo conseguiu adotar Inácio, por causa de uma postagem no Instagram sobre as crias que a gatinha de um amigo havia dado. “Eu pedi pelo amor de Deus pra ele guardar um pra mim. Eu queria muito um macho, porque falam que é menos trabalhoso na hora da castração e porque eu queria ter aquela sensação de ter um parceiro”, explica Hugo.


Ana Luiza e sua gatinha, Liza (Foto: Arquivo pessoal)

A estudante Ana Luiza, por sua vez, enxergou o isolamento social como a oportunidade perfeita para finalmente adotar o animal de estimação que sempre quis, mas nunca pôde ter por falta de tempo. “Ninguém ficava em casa na maior parte do tempo, todo mundo só chegava à noite, mas com a quarentena a gente foi ficando em casa e foi vendo que dava pra ter (um pet). Foi aí que eu decidi adotar a Liza, minha primeira gatinha, e foi muito bom, porque era uma distração naqueles dias de aflição que estávamos vivendo”, conta.



As vantagens de ter um pet

Conviver com um animal de estimação traz inúmeros benefícios, principalmente à saúde, como apontam diversos estudos, mas as vantagens não se limitam a apenas essa área. “Essa é a parte que eu mais posso falar, posso ficar aqui horas falando. Ele foi a melhor coisa que me aconteceu nesse período de pandemia”, Hugo confessa.


Segundo o estudante, muito além de alegria, a adoção do gatinho também trouxe um grande senso de responsabilidade e o ensinou a lidar melhor e mais pacientemente com pequenas adversidades, sem tratá-las como algo maior do que são.



Já no caso de Ana Luiza, a adoção de Liza e posteriormente o nascimento de Lizo, cria da gatinha, aproximou mais sua família. “Agora a gente tem um assunto em comum, um amor que nos une, porque ter um animal de estimação é ter um amor incondicional. Você ama com todas as suas forças e se apega mesmo. São só benefícios”, finaliza.


Adoção responsável

Em contrapartida ao aumento no número de adoções, o contrário também aconteceu e muitos animais foram abandonados desde o início da pandemia no país. Segundo Miriam Neder, essa realidade também se refletiu em Juiz de Fora, e a cidade voltou a ter muitos animais de rua durante o isolamento social.


O conforto do animal é um dos pontos a serem considerados antes da adoção (Foto: Burst/Pexels)

A falta de responsabilidade na posse dos animais é a causa de tanto abandono. Não existem campanhas educativas efetivas contra maus tratos e nem para orientar sobre posse responsável. A punição contra os crimes de abandono e maus tratos ainda é muito tímida”, explica a ativista.


Por isso, antes de adotar um pet é importante considerar alguns fatores cruciais para que haja uma adoção responsável, como: espaço disponível, orçamento, tempo e o que mais for necessário para o bem-estar do bichinho.


Antes de adotar é preciso pensar que o animal viverá por muitos anos. É muito importante que toda a família esteja de acordo, que a casa seja segura, que se tenha recursos para vacinas, castração, ração e veterinário. E, também, ter a consciência de que ele é um ser com sentimentos e, se a família se mudar, ele também irá junto”, Miriam finaliza.

 
 
 

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