A luta de todas as cores
- 28 de ago. de 2021
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Atualizado: 1 de set. de 2021
Os tradicionais eventos LGBTQIA+ fazem parte do calendário de Juiz de Fora. Além de um ato de resistência, a festa contribui para movimentar a economia da cidade
Felipe Fernandes.
Em plena ditadura militar, uma bucólica cidade do interior, marcada pelo conservadorismo social, entrou para história ao criar um dos maiores eventos de resistência do país, o Miss Brasil Gay. Devido ao seu grande sucesso, outras festas como o Rainbow Fest foram ganhando as ruas e se transformando no palco da diversidade, enfeitadas com as cores do orgulho e respeito. Durante a celebração, os membros da comunidade LGBTQIA+ se sentem seguros para mostrar que existem


Soraya Jordão, primeira Miss Brasil Gay (1977) e Rainbow Fest com mais de 30 mil pessoas. (Foto: Reprodução Internet)
Para o diretor do Movimento Gay de Minas (MGM), e coordenador e produtor do Miss Brasil Gay, Michel Brucce, “a arte do transformismo foi muito importante para colocar Juiz de Fora entre uma das cidades que mais trabalha a inclusão social. Aqui é primeiro município que teve a lei 9791/00, de 12 de maio de 2000, que criminaliza e adverte locais públicos ou privados, que cometerem práticas discriminatórias por orientação sexual e de gênero”. É um avanço, celebra o diretor.
Ainda segundo Michel, esses eventos reforçam a identidade das pessoas, é um ato político, um movimento de resistência e ocupação de espaços. Além disso, o Miss Brasil Gay tem um grande impacto econômico. Em uma pesquisa de 2019, nós conseguimos investir na cidade R$ 5 milhões, em dois dias de evento. A nossa ideia e vontade é que esse número ultrapasse R$ 10 milhões em um final de semana. Estamos trabalhando para que isso aconteça, elaborando um verdadeiro plano para fazer com que Juiz de Fora volte a estar dentro do trend LGBTQIA+ do Brasil, como um destino turístico”, ressalta Brucce.
Para a presidente do Convention & Visitors Bureau (JFCVB), Thaís Lima, os eventos são importantes pois eles movimentam, direta e indiretamente, mais de 70 setores econômicos. Eles atraem visitantes que incentivam a cadeia econômica do turismo. Além disso, espetáculos de renome são importantes para a imagem e reconhecimento da cidade, afirma Lima.
Perda Econômica:
Com a pandemia de Covid-19, esses eventos ficaram impedidos de serem realizados no formato presencial, o que gerou uma grande perda financeira para o município. ThaÍs Lima ressalta também “que várias empresas de eventos tiveram mais de 90% de perda de receita, sendo necessário demitir funcionários e não conseguir contratar terceirizados. Muitas se endividaram e outras tiveram que encerrar suas atividades. A estagnação do setor impactou nos hotéis, salões de beleza e costureiras.” (não precisa repetir o ‘ressalta’)
O mesmo aconteceu no ano de 2016, quando a organização cancelou a 20ª edição da Rainbow Fest, além da 16ª Parada do Orgulho LGBTQIA+. Dados do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares apontam que a ausência do público gerou um déficit para mais de 350 restaurantes e 35 hotéis da categoria turismo.
Semana Raimbow da UFJF
A iniciativa do evento teve início em 2017, por meio do Projeto de Extensão da UFJF “Identidades, Cidadania e Inclusão LGBTQIA +: Semana Rainbow”, sob a coordenação do professor do Departamento de Turismo Marcelo do Carmo. A meta é educar e sensibilizar a sociedade civil para as questões relacionadas às identidades de gênero e sexuais, além de trabalhar o respeito à diversidade e à pluralidade – para a comunidade acadêmica, mas, também, para a população local e turistas.
A atual coordenadora da V Semana Rainbow da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), professora Mariana Neves, reitera o potencial de transformação social do evento na construção de um ambiente mais tolerante e respeitoso. “Entre seus objetivos estão a inclusão, o acolhimento, o acesso aos direitos e ao exercício da cidadania, ainda restritos. No que diz respeito às comunidades atendidas, o conjunto de ações visa mudanças culturais, no sentido de manter a população LGBTQIA+ como "sujeitos de direitos”
Agosto Multicor:
O evento é uma realização da prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio de suas Secretarias de Comunicação Pública (Secom), Especial de Direitos Humanos (SEDH), Turismo (Setur) e Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa).
Em sua primeira edição, o “Agosto Multicor” tem como proposta oferecer um espaço para a divulgação e exibição de projetos variados, produzidos por grupos selecionados através de editais públicos, além da participação de convidados especiais.
Realizado de forma gratuita, a intenção é que o projeto seja anual, como forma de sensibilizar a sociedade civil e acrescentar elementos e novas possibilidades de reflexão e transformação social através da arte, cultura e educação.
A programação segue até o dia 30 de agosto, e conta com webinários, cursos profissionalizantes, exibições de filmes e participações de artistas LGBTQIA+ de diferentes localidades.

Cartaz oficial do evento "Agosto Multicor" ( Foto: Divulgação)


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