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A luta contra a sexualização do corpo das mulheres chegou ao maior evento esportivo do mundo

  • 12 de ago. de 2021
  • 2 min de leitura

A manifestação das ginastas alemãs reacendeu a chama de um debate antigo sobre como as regras impostas às mulheres são baseadas na visão masculina


Por Ludimila Coelho

Sarah Voss foi a primeira a se apresentar usando calça em uma competição na Europa Foto: Gregory Bull

Nas eliminatórias das Olimpíadas de Tóquio, a equipe alemã de ginástica decidiu usar colãs de corpo inteiro para competir. Essa decisão foi tomada com o intuito de se manifestarem contra a sexualização de seus corpos e para promover a liberdade das mulheres de vestirem o que as deixam confortáveis.


A equipe, composta por Sarah Voss, Pauline Schaefer-Betz, Elisabeth Seitz e Kim Bui, competiu no domingo (25) em macacões vermelhos e brancos. Até então, uniformes de corpo inteiro só eram usados por motivos religiosos.


"Queremos ter certeza de que todas se sintam confortáveis e mostramos a todos que podem usar o que quiserem e ter uma aparência incrível, uma sensação incrível, seja em uma malha longa ou curta."

-Sarah Voss



Equipe alemã usando o uniforme de corpo inteiro Foto: reprodução twitter

Esse caso não é único, mulheres vêm sendo criticadas e controladas no esporte há muito tempo. Relembre outro caso que ficou famoso esse ano:




Equipe de handebol de praia multada por não usar biquíni



Uniforme da equipe norueguesa desafiou as regras da competição Reprodução: twitter

Em julho deste ano, a equipe norueguesa de handebol decidiu usar shorts no jogo contra a Espanha no campeonato europeu. A decisão foi baseada no desconforto causado pelos biquínis que são de uso obrigatório.


Antes da partida, a Noruega entrou em contato com a Federação Internacional de Handebol pedindo para usar o short. A resposta foi além de um simples não: a federação ainda avisou que, se a regra fosse descumprida, o time poderia ser punido.


Mesmo com a resposta negativa, o time decidiu seguir com a decisão,sendo multado em 150 euros por jogadora. Essa decisão da Federação gerou grande revolta, principalmente nas redes sociais.


No Twitter, o ministro da cultura e do esporte da Noruega se revoltou contra o acontecimento.



reprodução: Twitter

"Em 2021, isso nem deveria ser um problema", comentou o presidente da Federação Norueguesa de Vôlei, Eirik Sordahl.


A cantora americana Pink também usou as suas redes sociais para se manifestar e se oferecer para pagar a multa. Além disso, diversos usuários do Twitter começaram a comparar o uniforme masculino com o feminino, fazendo até piadas com a situação.



Tradução: As meninas norueguesas do vôlei de praia queriam jogar com esses shorts em vez de biquínis, o que elas acharam muito revelador, mas foram ameaçadas pelo organizador do torneio da CE com multas se usassem algo que cobrisse mais de 10 cm de bunda.


Tradução segundo tweet: Se alguém estiver curioso, essa é uma foto em grupo dos dois times de handebol da Noruega.



Tradução: proposta de uniforme oficial para o vôlei masculino



O futuro do esporte


Mas qual seria o futuro desses uniformes e dos esportes femininos? Manifestações como essas ocorrem todos os anos e em grande parte das modalidades, apesar disso as regras parecem não mudar.


A jogadora profissional de handebol de praia Beatriz Correia acredita que o assunto ainda irá muito mais para a frente, já que a movimentação está cada vez maior, além disso, para ela a vestimenta em si não muda nada no esporte.


“Quanto mais modalidades se movimentarem contra isso, mais êxito teremos para essa flexibilização.”


Beatriz também defende que com a flexibilização dos uniformes mais atletas surgirão porque muitos deixam de participar por conta da vestimenta imposta.








 
 
 

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